publicado a: 2017-06-07

Segurança na utilização de produtos fitofarmacêuticos - após aplicação

Logo após a aplicação de produtos fitofarmacêuticos é importante ter atenção a três aspetos distintos:

  1. Conhecer e pôr em prática as condições expressas no rótulo relativamente a períodos de reentrada na cultura tratada e intervalo de segurança;
  2. Manutenção e limpeza do material de aplicação e do equipamento de proteção individual (EPIs);
  3. Higiene do operador.

Períodos a respeitar

Período de reentrada nas parcelas tratadas

Alguns produtos fitofarmacêuticos requerem um período de espera antes de se reentrar nos campos tratados com esses produtos. Nesses casos, deverão ser tomadas as precauções necessárias para evitar que alguém, inadvertidamente, possa entrar nessas parcelas. Uma das formas de o fazer é colocar indicações de que o campo está tratado e que é proibida a entrada.

Todos os produtos que exijam um período de espera para reentrada, têm essa indicação no rótulo.

Sempre que seja necessário reentrar nos campos tratados durante as 24 horas seguintes à aplicação, dever-se-á utilizar o equipamento de protecção individual adequado.

Intervalo de segurança

É indispensável reforçar a importância do intervalo de segurança após a aplicação de um produto fitofarmacêutico. O registo dos produtos aplicados na exploração agrícola, a data e a dose aplicada devem fazer-se logo após a aplicação, evitando assim dúvidas posteriores, nomeadamente em relação à data a partir da qual a colheita se pode efetuar, ou seja o intervalo de segurança.

Manutenção e limpeza do material de aplicação

A regra básica a seguir para a limpeza e manutenção do material de aplicação é simples e prática:

“Limpar e verificar o material de aplicação após cada dia de trabalho, deixando-o pronto para a seguinte utilização”

Após cada aplicação deverá proceder de imediato à limpeza do material de aplicação. As águas de lavagem devem ser pulverizadas sobre vegetação, em zonas com plantas não destinadas ao consumo humano e animal, sempre longe de fontes, poços ou cursos de água e em zonas não habitadas.

A manutenção do material deve fazer-se de acordo com as recomendações do seu fabricante e deve ter-se especial atenção a períodos longos, em que o equipamento não é utilizado. Nas condições climáticas de Portugal, a maioria do equipamento de aplicação não é utilizado no Inverno, sendo por isso importante fazer uma manutenção mais profunda no final do verão / outono.

Manutenção e limpeza do equipamento de proteção individual

O equipamento de proteção individual (EPI) destinado a tratamentos fitossanitários deve ser utilizado exclusivamente para este fim. Deve ser limpo no final de cada dia de trabalho e substituído o que não se encontrar em boas condições.

Lavagem das botas

As botas de borracha devem ser lavadas com água corrente e ainda quando se tem as luvas calçadas. Não utilizar detergentes na lavagem das botas, pois estes podem afetar a impermeabilidade das mesmas.

Lavagem das luvas

As luvas também devem ser lavadas com água corrente e sem usar detergente. Apesar das luvas se retirarem apenas depois de lavadas, deve evitar-se o contacto das mãos com a parte exterior destas, pelo que se aconselha retirá-las da seguinte forma:

  1. Retirar parcialmente uma das luvas até ao pulso;
  2. Puxar a outra luva e retirá-la até à zona do polegar;
  3. Agarrar as luvas pela parte de dentro com a mão livre e introduzir o polegar na luva calçada de forma a permitir a sua retirada;
  4. Segurar as luvas sempre pela parte interior.

Limpeza do fato de proteção

A limpeza dos fatos de protecção utilizados na proteção das plantas faz-se por lavagem à mão ou na máquina de lavar roupa.

A lavagem do fato de proteção deverá ser sempre feita separadamente da lavagem de roupa de uso diário.

A lavagem deverá respeitar as instruções do fabricante. Consulte cuidadosamente a etiqueta, pois a sua manutenção e conservação podem variar. Existem fatos que requerem a passagem a ferro após a lavagem, para restabelecer as suas propriedades de impermeabilização; outros têm de ser lavados a temperaturas mais baixas, etc.

Os fatos reutilizáveis deverão ser sempre lavados após cada utilização, no final de cada dia de trabalho.

Os fatos de uma só utilização não podem ser lavados, pois perderiam as suas propriedades protectoras. Como tal, devem ser substituídos depois de usados.

Limpeza da viseira, óculos e máscara

Os óculos e viseira devem ser lavados com água corrente, podendo utilizar-se um detergente suave.

A máscara deve ser limpa com um pano húmido. No caso de máscaras reutilizáveis com filtros incorporados, ter cuidado para nunca molhar os filtros. As máscaras descartáveis devem ser substituídas depois de cada utilização.

É importante substituir os filtros ou a própria máscara de acordo com as instruções do fabricante ou, na sua falta, sempre que se verifique dificuldade em respirar ou sentir o sabor ou cheiro do produto que se está a utilizar.

Higiene do operador

Logo após a utilização dos produtos, a limpeza do material de aplicação e do equipamento de proteção individual, o operador deve tomar um duche. É aconselhável que o operador tome banho de chuveiro utilizando sabonete ou equivalente e vista roupa lavada. Só após finalizada a sua higiene pessoal é que o operador pode realizar outra actividade.

Sempre que as aplicações de produtos fitofarmacêuticos se realizem por exemplo de manhã e à tarde, recomenda-se que no final da manhã o operador proceda à limpeza do equipamento de protecção, realize a sua higiene pessoal e pela tarde volte a utilizar os equipamentos convenientemente limpos.

Fonte: ANIPLA

Veja também:

Segurança na Utilização de Produtos Fitofarmacêuticos - Preparação da Calda
Segurança na Utilização de Produtos Fitofarmacêuticos - Aplicação

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