publicado a: 2017-05-24

Alfaces para proteger o cão

Muitas das histórias que escrevi têm sido sobre utilizadores mais ou menos profissionais. No entanto, nos últimos anos, temos dados cada vez mais atenção aos produtores ditos "domésticos". Com todas as alterações sociais e legislativas que têm acontecido, o tradicional agricultor do "só para comer aqui em casa" mudou bastante. Muitas pessoas cujo perfil não encaixa com a visão que temos da hortinha na terra dos pais, têm vindo a interessar-se e a produzir os seus próprios alimentos, tanto por razões económicas como de segurança alimentar. Causa, ou talvez consequência, desta tendência é o grande crescimento que as hortas urbanas têm tido, comunitárias em terrenos públicos, privadas aproveitando varandas e logradouros com soluções como as hortas verticais.

Os técnicos e balconistas nem sempre estão despertos para as características especiais destes compradores. É claro que compram muito menos, sejam equipamentos, fertilizantes ou fitofarmacêuticos. Mas são em número cada vez maior, compram mais caro e estão muito atentos às novidades. Vêm ao balcão, fazem muitas perguntas. São ávidos de informação, não tendo qualquer ligação anterior a agricultura ou jardinagem.

As suas prioridades são mesmo diferentes. Há alguns anos, na loja de um formando meu, apareceu alguém a pedir um inseticida para umas alfaces plantadas no jardim e atacadas por lagartas. Depois de aconselhado qual o melhor, perguntou: "isso é seguro para o meu cão? ele passa os dias no jardim"."Fique descansado. Só tem que esperar umas horas"."Mesmo?"."A sério, fique descansado"."Bem, deixe estar o insecticida. Eu levo antes alfaces para plantar. Arranco as que estão, mato as lagartas à mão e planto as novas que levar."

Hugo Pires

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