publicado a: 2015-05-27

Raising beds - uma forma de agricultura doméstica

Lançamos hoje uma nova rubrica em que "damos voz" a pessoas que têm como hobby a agricultura, para podermos conhecer as suas experiências.

A Ofélia Jesus contou-nos a sua experiência com as Raising Beds (Camas Levantadas).



Face à crescente procura de uma vida mais saudável e também tendo em conta a minha economia doméstica surgiu-me a vontade de ter a minha própria horta.

Por escolha própria procurei mais conhecimento sobre o modo de produção Biológico / Permacultura, fiz algumas formações e daí passei à prática.

No meu caso tenho terreno para plantar, mas pouco tempo para dedicar à horta. Daí optei essencialmente por Camas Levantadas.

Comecei por uma mais elaborada e mais dispendiosa monetariamente mas depois percebi que podia economizar e reciclar e por isso continuei a fazer camas com os materiais que tinha à mão. No meu caso tinha acesso a muitas telhas velha e tijolos que sobraram de obras, mas há muitas outras soluções.

No primeiro ano fiz quatro camas levantadas e no segundo mais três. Além das camas levantadas também planto algumas hortícolas da forma tradicional, diretamente no solo.

Hoje vou explicar o que é uma Cama Levantada e a minha experiência com este forma de agricultura.

As Camas levantadas são uma espécie de caixotes que se colocam em cima do solo, logo os canteiros são mais elevados que o solo circundante. A altura depende das preferências do agricultor/jardineiro, localização e condições do solo.

Deve ser tido em conta as dimensão do caixote de modo a que as plantas fiquem ao alcance das pessoas.

Para a construção da Cama Levantada pode ser usada madeira, pedras, tijolos, telhas, garrafões, pneus ou outros materiais.


Vantagens em relação ao método tradicional

Uma aparência atraente. O enquadramento cria linhas e formas que são naturalmente agradáveis aos olhos, dando à horta uma aparência arrumada e bem organizada.

Melhoria das condições do solo. As Camas Levantadas oferecem uma área definida em que se pode adicionar melhor solo que em outros locais do quintal/terreno. No meu caso. costumo colocar nas camas correctivo orgânico com estrume de cavalo.

Manutenção mais rápida. Quando se trata de rega, capina e colheita, as plantas permanecem facilmente acessíveis a partir de todos os lados.

Menos ervas daninhas e pragas. As bordas das camas levantadas também atuam como uma barreira para a invasão de gramíneas e ervas daninhas e ajudam a proteger as plantas de uma variedade de pragas, incluindo lesmas e caracóis.

Redução do esforço físico. O trabalho é feito num nível mais elevado, o rebaixamento e flexão que vem com a agricultura tradicional é minimizado.

Pouca compactação do solo. O solo em camas nunca é pisado, pelo que fica solto e friável.

Aquecimento rápido do solo. Drena melhor na primavera permitindo que o sol aqueça o solo mais rápido, para o plantio mais cedo.


As desvantagens são reduzidas. A principal é o investimento inicial para a criação das camas: os materiais, o composto e as sementes/plantas. A meu ver, se for para uma horta doméstica são necessários de cerca de 2 a 3 anos para a rentabilizar, variando com as dimensões da horta. Uma forma de reduzir os custos iniciais é reciclar materiais, sendo que se aproveita para colocar a prova a criatividade.

Outra questão é o espaço para cultivo, que passa a ser mais reduzido, sendo uma boa estratégia para hortas domésticas.

Depois do primeiro ano poderá guardar sementes de forma a diminuir os custos usando-as nos anos seguintes. Em troca necessita de dispender mais tempo para as germinar.

Na minha opinão, o mais compensador é saber exatamente o que estou a comer.

Deixo-vos com algumas fotos da minha horta doméstica.


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