publicado a: 2017-07-24

Agricultura. Escaldão atinge moscatel

Do total de 1000 hectares de plantação, foram atingidos, em termos médios, perto de 20%. Há vinhas que, no entanto, sofreram prejuízos bem superiores.

Várias vinhas da Adega Cooperativa de Palmela foram atingidas por um escaldão que afetou perto de 20% da área plantada. Castas de castelão e moscatel foram as mais atingidas. Agricultores pedem ajuda ao governo.

"Vê-se o cacho completamente seco como pode avistar aqui". O lamento é de José Manuel Coutinho, presidente da Adega Cooperativa de Palmela, durante uma visita a uma das vinhas afetadas por um escaldão no passado dia 17 de junho, o dia dos incêndios de Pedrógão Grande. Explica o dirigente que até "não foi o calor em si", mas sim "o vento que se fez sentir naquele dia (...), que era muito forte. Embora as cepas estivessem compostas com muita parra, mesmo assim, o vento penetrou dentro da cepa e originou o que está a ver aqui".

Do total de 1000 hectares de plantação, foram atingidos, em termos médios, perto de 20%. Há vinhas que, no entanto, sofreram prejuízos bem superiores. São os proprietários destas vinhas que estão no topo das preocupações da direção da Adega Cooperativa de Palmela, já que, sublinha José Manuel Coutinho, "com o vinho que temos de reserva conseguimos manter os compromissos que temos assumidos com os nossos clientes". O problema são os associados que vão perder rendimento com a menor produção na próxima vindima, problema tanto pior quanto "muito poucos têm seguro".

A direção da adega lança por isso um apelo ao Ministério da Agricultura. "Acho que o governo deve ajudar estes associados. Se for como em 2011, houve um subsídio, embora tenha sido num valor muito pequeno". José Manuel Coutinho foi um dos beneficiados. Recorda que "deu para 75% da poda no ano seguinte. Já é uma ajuda. Pouca, mas é!".

A ajuda é tão importante porque o último escaldão ocorreu há não muito tempo (2013). É um facto sublinhado com alguma preocupação pelo vitivinicultor. "O escaldão sempre ocorreu, mas com uma distância de anos muito maior. Acontecia, depois voltava a acontecer 15 anos depois ou 20 anos depois. Agora, com tanta frequência, não". E José Manuel Coutinho até encontra uma explicação provável: "as alterações climáticas".

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