publicado a: 2018-06-20

Agricultura na Madeira já rende 114 milhões

O rendimento da produção do ramo agrícola na Madeira aumentou 5% em 2016 face ao ano anterior, apesar da progressiva redução que se tem verificado quer no número de explorações como também da área cultivada.

Os dados provisórios das Contas Económicas da Agricultura Regionais (CEAREG), ontem divulgados pela Direcção de Estatística da Madeira, demonstram que a produção rendeu 114,1 milhões de euros, um aumento de 5% em termos nominais face ao ano precedente.

Um dado relevante atendendo a que há cada vez mais madeirenses a depender do que a terra nos dá. Em 2016, a população agrícola familiar na Madeira (constituída pelo produtor agrícola e pelo seu agregado doméstico) era de 35.061, mais 84 indivíduos que em 2013. Contas feitas, conclui-se que 14% da população madeirense vive da agricultura.

Do total da produção agrícola regional registada em 2016, a esmagadora maioria (86%) foi proveniente da componente vegetal e 10% da animal, sendo que as restantes parcelas derivaram de serviços agrícolas e actividades secundárias não agrícolas.

A predominância da produção de frutas, hortícolas e legumes é significativo no sector primário na Madeira. Basta ver que, a nível nacional, o peso da produção vegetal não tem tanta expressão como na Região (57%), revelando-se a parte animal mais preponderante (37,9%) do que aquilo que se verifica por cá.

Em termos de facturação, a produção vegetal ascendeu a perto da centena de milhões de euros (98,6 milhões), contribuindo para isso as hortícolas frescas que aumentaram 22% face ao ano anterior, valendo 30 milhões de euros. Os frutos subtropicais, por seu turno, viram a produção subir 19% para 24 milhões de euros.

Semilha é ‘raínha’ da produção regional

Segundo as estimativas para o ano de 2017 fornecidas pela Direcção Regional de Agricultura (DRA), relativas às áreas e produções agrícolas regionais, a batata (vulgo semilha) continua a ser a cultura com maior volume de produção (30.689 toneladas), observando-se um aumento de produção de 4.579 toneladas entre 2016 e 2017.

A batata-doce surge como a segunda produção mais relevante no grupo das culturas temporárias com 11.736 toneladas, ou seja, mais 442 toneladas do que em 2016.

Segue-se a cana-de-açúcar, com 10.830 toneladas, cuja produção mantém a trajectória de crescimento dos últimos anos, observando-se uma subida de 0,2% relativamente a 2016.

Nas culturas permanentes destaca-se a produção de banana que atingiu as 23.187 toneladas, um aumento de 8,8% face ao ano anterior.

Em bom plano produtivo está também a uva de castas ‘vitis vinífera’ que obteve uma subida de 28,5%, fixando-se nas 4.516 toneladas.

No caso da uva - cuja origem de informação é o Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira, (IVBAM, I.P.) - é de referir que 81,4% da produção foi de tinta negra mole (81,7% em 2016).

No domínio da agricultura biológica contabilizaram-se 99 agricultores com uma área agrícola respectiva de 106 hectares em produção biológica. Existem ainda 45 agricultores em processo de conversão de um total de 48,1 ha para este tipo de produção.

Madeira perde 15% de explorações em sete anos

Não obstante o bons indicadores económicos no sector primário, a Madeira continua a perder propriedades agrícolas e área cultivada. Nos últimos sete anos, a superfície agrícola utilizada diminuiu 10% e o número explorações agrícolas sofreu uma redução ainda mais acentuada: 15%.

De acordo com o Inquérito à Estrutura das Explorações Agrícolas 2016 (IEEA 2016), a Região Autónoma da Madeira tinha naquele ano, 11.628 explorações e uma Superfície Agrícola Utilizada (SAU) de 4.893,2 hectares, ou seja, qualquer coisa como cerca de 5 mil campos de futebol.

Comparativamente ao inquérito anterior, datado de 2013, a redução de explorações foi de 4%, enquanto a SAU diminuiu 7%.

Mas se compararmos com o Recenseamento Agrícola de 2009 (RA09), constata-se que a tendência de decréscimo já vem de longe: o número de explorações agrícolas caiu 14,6%, enquanto a SAU decresceu 9,9%.

Nas culturas temporárias (1.873 hectares, -13% que em 2013) há a destacar o acréscimo na área de hortícolas (+11,7% face ao IEEA 2013), que reforçam a sua posição como cultura mais importante dentro do grupo das temporárias, com uma área base de 937,6 hectares. “A diminuição da área de batata em cultura extensiva (ou seja, sem estar em rotação com as hortícolas) em 45,2% foi o factor principal que conduziu à redução das culturas temporárias”, lê-se nas conclusões.

Nas culturas permanentes (2 366,7 hectares, -0,9% do que em 2013), destaca-se a redução na área contínua de citrinos de 83,6 hectares em 2013 para 75,2 hectares em 2016. Mas foram sobretudo as diminuições de 1,9% face a 2013, quer na área de frutos subtropicais, quer na área de vinha, que contribuíram para o decréscimo de 0,9% verificado no grupo das culturas permanentes.

Em 2016, 86% da SAU tinha condições de ser regada caso o produtor o entendesse, uma percentagem superior em 1,3 pontos percentuais à registada no último inquérito, realizado em 2013. 82,6% das explorações com disponibilidade de rega têm água de rega providenciada pelo sistema colectivo público, sendo que 89% beneficiam de água proveniente de uma levada.

A área média por exploração agrícola diminuiu após uma recuperação ligeira. “A área média de SAU (calculada pela divisão da SAU pelo número de explorações com SAU que é de 11 617) fixou-se nos 4 212 m2, acima da apurada no RA09 (3 997 m2), mas ligeiramente inferior à contabilizada no IEEA 2013 (4 365 m2)”, assinala a Direcção Regional de Estatística da Madeira.

Ovos aumentam 9%, frangos diminuem 6%

No ramo da avicultura industrial, a produção de ovos em 2017 rondou os 24,1 milhões de unidades, mais 9,4% que em 2016.

O abate de frango não ultrapassou as 3.346,5 toneladas (peso limpo), um decréscimo de 5,6% em relação ao ano transacto.

O total em peso de reses abatidas e aprovadas para consumo da população em 2017 foi de 917,1 toneladas (peso limpo), diminuindo 2% face ao ano precedente.

De acordo com a Direcção Regional de Estatística da Madeira, este decréscimo reflecte a diminuição verificada tanto nos suínos abatidos (-7,1%), como nos bovinos (-1,6%). Refira-se que a raça dos bovinos é, de longe, a espécie mais abatida na Madeira, representando 93% do total.

Em 2016, contaram-se aproximadamente 3 mil bovinos e suínos, 7 mil caprinos e 5 mil ovinos nas explorações agrícolas da Região, observando-se uma redução global de efectivos na ordem dos 17,7% face a 2013.

Produção de vinho aumentou 25%

A produção de vinho licoroso com denominação de origem protegida (DOP) teve um bom ano em 2017. De acordo com os dados provisórios do Instituto do Vinho e do Artesanato da Madeira, a produção de vinho aumentou 25% passando de 26.506 hectolitros para 35.303 hl.

A vindima fértil e as boas colheitas em quantidade durante o ano de 2016 reflectiram-se nos valores de vinho produzido também no DOP de origem protegida ‘Madeira’ que viu o volume subir 24%, de 26.327 hl para 34.691 hectolitros.

A acompanhar esta tendência esteve também o vinho DOP ‘Madeirense’, que escalou 37%, passando de 1.035 hl para 1.653 em 2017, segundo os dados provisórios do IVBAM.

Em contra-ciclo, esteve os vinhos produzidos pela casta ‘vitis vinefera’ e outros híbridos de produtores directos, cujas produções caíram para menos de metade, representando volumes bem mais modestos.

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