publicado a: 2019-11-18

Agroalimentar mais tecnológico reforça competitividade

Aposta no 4.0 tem permitido ao setor agroalimentar aumentar a competitividade. Investir na formação é uma prioridade.

O setor agroalimentar é atualmente um dos front runners da economia nacional. Todo o cluster – da agricultura à indústria transformadora – investiu na modernização tecnológica e na inovação, tanto dos processos produtivos como dos próprios produtos, e os resultados estão à vista. “Componentes da robotização e desmaterialização dos processos têm sido fundamentais para que o setor tenha hoje indústrias que ombreiam ao nível das melhores do mundo”, garante Amândio Santos, presidente do conselho de administração do Portuguese AgroFood Cluster.

O investimento tem sido acompanhado pela requalificação dos recursos humanos (RH). “Não há máquinas que sejam eficazes e eficientes se não tiverem operadores bem preparados. O setor tem feito um esforço determinante na formação de toda a estrutura de RH, do chão de fábrica até às linhas de comando. Há uma dinâmica que tem apostado nestas componentes de modernização tecnológica, e nos processos que são hoje fundamentais para responder às exigências dos mercados”, afirma o responsável, que destaca o papel “fundamental” que a transição para a indústria 4.0 tem tido na conquista de novos mercados e clientes.

O esforço ocorre, contudo, a diferentes velocidades dentro do cluster. “Quando se está num estágio de exportação para países muito exigentes, as empresas são obrigadas a acelerar toda a sua adaptação às novas dinâmicas industriais e às novas ferramentas”, afirma Amândio Santos. “O setor tem de olhar para isto como uma prioridade e como uma alavanca de desenvolvimento e sobrevivência no futuro”, diz.

A indústria 4.0 traz desafios acrescidos ao cluster agroalimentar, nomeadamente a volatilidade da tecnologia. “Quando se fazem investimentos, tem de se ter muita atenção à evolução tecnológica que esses equipamentos vão ter”, explica o responsável. Mas é a adaptação das competências ao nível dos RH que tem um papel determinante. “Sem pessoas qualificadas, preparadas e conscientes, o caminho vai ser muito mais difícil”, alerta Amândio Santos.

Na centenária Cerealis – produtora das marcas de massas Nacional e Milaneza -, a digitalização é um dos pilares estratégicos há seis anos. “Estamos na fase da digitalização e integração de todos os processos para que as máquinas estejam a comunicar entre elas e um dia, sobre essa base de trabalho, possamos acrescentar funcionalidade”, explica Rui Amorim, CEO da empresa.

O investimento veio aumentar a rapidez e a eficácia mantendo os níveis de competitividade. “Podemos ver no momento erros ou imperfeições que nos permitem reagir e antecipar problemas de uma forma mais rápida. São resultados que nunca acabam, porque há sempre coisas a descobrir, e somos cada vez mais rápidos porque estes processos de interação com a informação online permitem usar as tecnologias, conhecimentos e competências estatísticas para otimizar as operações”, afirma o CEO.

Já na unidade de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Lipor, a aposta tem sido a recolha e o tratamento de dados. Com três áreas prioritárias – uma delas dedicada à produção de produtos para a agricultura, como o composto Nutrimais -, o grande objetivo da unidade é o desenvolvimento de produtos sustentáveis.

“A indústria 4.0 acaba por ser transversal. É através da recolha de dados e conhecendo cada vez melhor os processos que conseguimos otimizar cada uma das áreas”, explica Benedita Chaves, gestora da unidade. Em 2016 foi criado um data center especificamente para a recolha seletiva porta-a-porta, que a Lipor instalou em oito municípios do grande Porto. “Conseguimos saber a data em que foi feita a recolha e estimar quantidades de produção, quem separa ou não o lixo… E através da análise de dados podemos otimizar os circuitos e a frequência de recolha”, exemplifica Benedita Chaves.

A par com o data center, a unidade tem a decorrer dois projetos com vista a automatização das linhas de triagem com recurso a sensores cuja recolha de dados irá otimizar o processo. “Quanto mais usamos os dados, mais valor eles têm. E quanto mais dados tivermos melhor. É um processo em crescimento e estamos convictos de que assim vamos conseguir acrescentar cada vez mais valor aos nossos processos.

O grande objetivo é mudar o nosso modelo de negócio: deixar de ser uma empresa que presta serviços para ser um produtor de produtos sustentáveis com sistemas cada vez mais otimizados”, assume Benedita Chaves.

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