publicado a: 2018-10-30

Frio de Junho e Julho condicionou produção de castanha em Sernancelhe

O investigador José Gomes Laranjo disse à agência Lusa que este ano, devido ao frio de junho e julho, a produção da castanha «está a revelar-se de certa forma negativa», porque os ouriços abrem e as castanhas «não estão vingadas».

«Este ano está a revelar-se de certa forma negativo aqui para o concelho e com certeza para outras regiões de produtores de castanha. Os produtores estão a constatar que estão a abrir os ouriços e dentro dos ouriços não estão castanhas vingadas e isto é muito grave, porque não estão formadas», revelou José Gomes Laranjo.

Este professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) coordenou um projeto de investigação ao longo de três anos em Sernancelhe com o objetivo de ajudar os produtores a aumentar e melhorar a qualidade dos castanheiros e, consequentemente, da castanha.

Segundo o investigador, esta falta de desenvolvimento do fruto deveu-se ao «período da polinização, que acontece em junho, julho», isto, porque «esteve muito frio, houve dias muito frios e isso condicionou a polinização». «Não havendo polinização, não há formação de castanhas», sustentou.

José Gomes Laranjo esclareceu que «por mais que se trabalhem as questões técnicas, se as condições climáticas não ajudarem a produção não sobe» e a natureza é algo «que não é possível de controlar».

Também o vereador da Cultura de Sernancelhe, concelho onde «sensivelmente mil hectares» de terreno são dedicados à produção da castanha, revelou à agência Lusa que não é o produto que se produz em maior quantidade, mas é o que tem maior rentabilidade económica.

«Produzimos em maior quantidade uva, maçã, azeitona e em quarto lugar surge a castanha, mas o valor comercial das transações e das vendas da castanha ultrapassam economicamente todas as outras produções de maior quantidade», contou Armando Mateus.

À agência Lusa, este responsável defendeu que a castanha «está com uma produção mais tardia», uma vez que por esta altura da festa que o município organiza todos os anos, por norma, «já se está a meio da campanha e, este ano, está a iniciar e, em alguns casos, ainda nem se iniciou sequer».

«Sabemos que não será um ano de grande produção, será um ano de produção média, mas um ano de grande qualidade, por norma está associado assim, quando a produção é um pouco mais reduzida a qualidade também é um pouco mais elevada», considerou.

Armando Mateus assumiu que a castanha «é o produto que económica e financeiramente traz mais retorno ao concelho de Sernancelhe, aos produtores e às indústrias agroalimentares», ou seja, «tem uma produção média anual de 1.500 toneladas que poderá, num ano médio, ascender aos 3,5 milhões de euros».

Mas, para este ano, apesar de a autarquia contar com menos produção, o vereador estima que «o valor financeiro possa chegar aos quatro milhões de euros», uma vez que «o valor da castanha está a ser comercializado próximo dos quatro euros o quilo».

«Estamos num ano de excelente qualidade, numa produção que se prevê média, ainda que alguns produtores estejam um pouco desanimados nesta fase, mesmo até pela própria Festa da Castanha e também porque se aproxima a época dos Santos, que é quando o pico do valor atinge o produtor mas, este ano, ainda estamos a iniciar a campanha», lamentou.

Ainda assim, Armando Mateus consciente de que «poderá haver numa fase de arranque menor retorno», mantém-se otimista e espera que o retorno financeiro venha, «obviamente, mais tarde, para o São Martinho», a 11 de novembro.

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